Forum Carros

Início » História » A história mais absurda de Ozzy, 19 tentativas para dirigir e uma coleção de carros clássicos inacreditável

A história mais absurda de Ozzy, 19 tentativas para dirigir e uma coleção de carros clássicos inacreditável

Do jovem de Birmingham que não sonhava em dirigir ao ícone do rock que colecionava carros únicos, a história automotiva de Ozzy é tão imprevisível quanto sua carreira

A trajetória de Ozzy Osbourne sempre foi marcada por extremos. Entre o caos e a genialidade, entre o humor involuntário e a autenticidade absoluta, o eterno vocalista do Black Sabbath construiu uma das carreiras mais icônicas da história da música. No entanto, fora dos palcos, existe um lado menos explorado — e igualmente fascinante — de sua vida: sua relação com carros.

Diferente do estereótipo clássico do astro do rock apaixonado por velocidade e supercarros, Ozzy construiu uma história completamente fora do padrão. Ele não era um piloto habilidoso, não dominava o volante e, por décadas, sequer conseguiu tirar a carteira de motorista. Ainda assim, nutria um fascínio genuíno por automóveis, especialmente aqueles que carregavam identidade própria.

Foto: Divulgação

Entre tentativas desastrosas de habilitação, histórias quase inacreditáveis envolvendo testes de direção, uma coleção peculiar de veículos e até mesmo participações no universo do automobilismo, Ozzy viveu uma jornada automotiva tão intensa quanto sua carreira musical. Este artigo aprofunda, com riqueza de detalhes, essa relação improvável — e mostra como o “Príncipe das Trevas” também deixou sua marca sobre rodas.

As origens: Birmingham, dificuldades e um mundo sem carros

Antes de se tornar um dos maiores nomes do heavy metal, Ozzy Osbourne era apenas John Michael Osbourne, um jovem da classe trabalhadora nascido em Birmingham, na Inglaterra. Crescendo em um ambiente simples, ele não teve contato direto com o universo automotivo de forma privilegiada.

Na década de 1950 e início dos anos 60, possuir um carro ainda era um luxo para muitas famílias britânicas. Para alguém como Ozzy, cuja realidade envolvia dificuldades financeiras e empregos modestos, dirigir não era uma prioridade — e muito menos uma habilidade essencial.

Esse detalhe é importante porque ajuda a explicar sua relação posterior com carros. Diferente de muitas pessoas que crescem sonhando em dirigir, Ozzy não desenvolveu esse vínculo desde cedo. Para ele, os carros eram mais símbolos distantes do que ferramentas do cotidiano.

Quando sua carreira musical começou a decolar com o Black Sabbath no final dos anos 60, sua vida mudou drasticamente. A fama trouxe dinheiro, reconhecimento e acesso a um estilo de vida completamente diferente — incluindo o universo dos automóveis.

Mas, curiosamente, isso não significou que ele se tornaria um motorista.

O início do sucesso e a vida na estrada… como passageiro

Durante o auge do Black Sabbath, Ozzy passou grande parte de sua vida em turnês. Aviões, ônibus e carros com motoristas profissionais faziam parte da rotina. Isso reforçou ainda mais sua posição como passageiro, não como condutor.

Enquanto outros artistas eventualmente desenvolviam interesse em dirigir seus próprios carros, Ozzy parecia confortável sendo levado de um lugar ao outro. Isso não impediu, no entanto, que ele observasse, admirasse e se interessasse pelos veículos ao seu redor.

Foto: Divulgação

Na prática, sua relação com carros começou muito mais como observador do que como participante ativo. Ele apreciava o design, o estilo e a presença dos veículos — mas sem necessariamente querer assumir o controle.

A saga das 19 tentativas: uma batalha contra o volante

Se existe um capítulo que define a relação de Ozzy com a direção, é sua longa — e quase inacreditável — jornada para conseguir a carteira de motorista.

Foram 19 tentativas fracassadas ao longo de décadas. Esse número, por si só, já seria suficiente para entrar para o folclore. Mas o que torna essa história ainda mais marcante são os detalhes.

Ozzy nunca escondeu que lidava mal com a pressão dos testes. Nervosismo, falta de concentração e até desinteresse contribuíam para seus fracassos. Em entrevistas, ele chegou a admitir que, em algumas ocasiões, compareceu às provas sob efeito de álcool, acreditando que isso poderia ajudá-lo a relaxar.

O resultado era previsível.

Instrutores frequentemente se viam diante de um candidato completamente fora do padrão. Em um episódio que se tornou lendário, um avaliador deixou um recado direto no carro após mais uma reprovação: uma recomendação clara para que ele não tentasse novamente. Mas desistir nunca fez parte da personalidade de Ozzy.

A conquista tardia: habilitação aos 60 anos

Depois de décadas tentando, Ozzy finalmente conseguiu sua carteira de motorista — aos 60 anos. A conquista, embora tardia, teve um significado especial.

Mais do que apenas uma habilitação, era uma prova de persistência. Em um mundo onde ele já havia conquistado praticamente tudo, conseguir dirigir representava uma vitória pessoal.

No entanto, essa vitória não transformou Ozzy em um motorista exemplar.

Dirigir com ajuda: uma experiência nada convencional

Mesmo após obter a carteira, Ozzy continuava enfrentando dificuldades ao volante. Sua falta de confiança era evidente, e sua habilidade prática estava longe do ideal.

Por isso, ele raramente dirigia sozinho. Seu assistente pessoal frequentemente o acompanhava, atuando como uma espécie de copiloto improvisado. Entre suas funções, estavam alertar sobre obstáculos simples — como árvores, curvas e outros veículos.

Essa dinâmica, embora incomum, ilustra perfeitamente o quão peculiar era sua relação com a direção. Enquanto muitos veem o ato de dirigir como algo natural, para Ozzy era quase uma atividade assistida.

A coleção de carros: personalidade acima de tudo

Apesar das dificuldades ao volante, Ozzy sempre demonstrou interesse por carros. Sua coleção, no entanto, não seguia padrões convencionais.

Ao invés de investir exclusivamente em supercarros ou modelos de alto desempenho, ele optava por veículos que possuíam personalidade.

Volvo 240 (1982): simplicidade com identidade

O Volvo 240 é talvez o exemplo mais curioso. Em um cenário onde celebridades costumam ostentar carros exóticos, a escolha de um sedã sueco robusto e discreto chama atenção.

Equipado com motor 2.3 e cerca de 113 cavalos, o modelo não impressiona pelos números. No entanto, sua durabilidade e caráter utilitário contrastam com a imagem caótica de Ozzy — criando uma combinação quase irônica.

Daimler DS420: o lado sombrio sobre rodas

O Daimler DS420 é outro destaque marcante. Com seu visual que remete a limusines clássicas — e até carros funerários — ele combina perfeitamente com a estética associada ao “Príncipe das Trevas”.

Com motor 2.5 e aproximadamente 167 cv, o modelo oferecia conforto e presença. Era o tipo de carro que não passava despercebido — algo que, sem dúvida, combinava com Ozzy.

Mercedes-Benz 190 E (W201): elegância e performance

O Mercedes-Benz 190 E de 1988 representa uma escolha mais tradicional dentro de sua coleção. Com motor 2.5 e até 204 cv em versões mais esportivas, o modelo oferece equilíbrio entre luxo e desempenho.

Ainda assim, mesmo com um carro capaz em mãos, Ozzy continuava sendo mais admirador do que condutor.

Carros como extensão da personalidade

Ao analisar suas escolhas automotivas, fica claro que Ozzy não buscava apenas transporte. Para ele, os carros eram extensões de personalidade.

Assim como sua música desafiava convenções com o Black Sabbath, suas escolhas automotivas também fugiam do óbvio. Ele não seguia tendências, não buscava aprovação — apenas escolhia aquilo que fazia sentido dentro de seu próprio universo.

A relação com o automobilismo

Além dos carros em si, Ozzy também demonstrava interesse pelo automobilismo. Ele participou de eventos e acompanhou corridas ao longo dos anos.

Um momento marcante ocorreu no Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1, em 2003, onde teve contato com o lendário piloto Jackie Stewart.

Esse encontro simboliza a conexão entre dois mundos distintos — o rock e a velocidade.

Homenagens nas pistas e reconhecimento cultural

A influência de Ozzy ultrapassou a música e chegou até o automobilismo moderno. Um exemplo disso foi a homenagem realizada pela equipe Meyer Shank Racing na IndyCar, com um carro estampando sua imagem.

Essa ação demonstra como sua figura se tornou um ícone cultural global, reconhecido até mesmo em ambientes onde sua presença não era óbvia.

Ozzy prestigiou o lendário piloto Sir Jackie Stewart
Foto: Divulgação

O contraste com outros astros do rock

Comparado a outros músicos, Ozzy se destaca justamente por sua falta de habilidade ao volante. Enquanto muitos artistas são conhecidos por suas coleções de supercarros e desempenho na direção, Ozzy representa o oposto.

Ele amava carros, mas não dominava a arte de dirigi-los. Esse contraste torna sua história ainda mais interessante — e mais humana.

Humor, caos e autenticidade

Grande parte do fascínio pela relação de Ozzy com carros está no humor. Suas histórias são engraçadas, imprevisíveis e muitas vezes absurdas. Mas, acima de tudo, são autênticas.

Ozzy nunca tentou esconder suas limitações. Pelo contrário, ele as incorporou à sua identidade, transformando falhas em histórias memoráveis.

Foto: Divulgação

Um legado além da música

Embora seja lembrado principalmente por sua contribuição ao heavy metal, Ozzy também deixou marcas em outras áreas. Sua relação com carros é um exemplo disso.

Mesmo sem ser um grande motorista, ele demonstrou que é possível se conectar com o universo automotivo de maneiras diferentes.

Conclusão: viver intensamente, mesmo sem saber dirigir

A história de Ozzy Osbourne com carros é, acima de tudo, uma celebração da individualidade.

Ele não foi o melhor motorista, não seguiu padrões e não tentou se encaixar em expectativas. Ainda assim, viveu intensamente sua relação com o mundo automotivo.

Entre reprovações, carros excêntricos e momentos curiosos, Ozzy construiu uma trajetória única — uma que reflete perfeitamente quem ele era.

No fim das contas, talvez dirigir nunca tenha sido o ponto principal. O que realmente importava era a jornada. E, como tudo na vida de Ozzy, essa jornada foi absolutamente inesquecível.

Felipe Jr
Felipe Jr

Felipe Jr é formado em jornalismo desde 2015 e apaixonado por carros desde a sua infância. Suas duas paixões se uniram ao se tornar redator para blogs do setor automotivo. CONTATO: forumcarros@hotmail.com

Forum Carros
Política de Privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e desempenham funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.